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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sobre Thomas Piketty
1.  Quando a desigualdade econômica passa a ser inútil ou estéril?
2.  Quais os níveis de desigualdade que trouxeram algum benefício?


O professor e pesquisador francês, longe de ser um marxista, hoje é o mais debatido economista após a publicação de seu livro “O capital no Século XXI”, a ser lançado em novembro de 2014 no Brasil.
Após um estudo exaustivo, com fartos dados estatísticos, verificou de forma contundente aquilo que estamos presenciando após a crise de 2008 – a concentração brutal de renda.
Pois bem, se alguém perde alguém ganha. O Estado , que deveria mediar e equilibrar esta relação e evitar que as desigualdades fossem acentuadas e, por consequência, seus efeitos como desemprego, pauperização, violência e destruição ambiental, não consegue ou não tem vontade política para acompanhar a velocidade da “globalização”, uma nova fase de acumulação, se torna impotente mediante a brutal expansão do capital e a “liberalização” financeira (ou será libertinagem?).
As diferentes formas de capital (principalmente os assets-  ativos) devem ser melhor controladas, não obedecem às mesmas leis. O que aqui o senador Roberto Requião chama de “Capital Vadio”, a imprensa brasileira (esmagadoramente colonizada) chama de “mercado”.
Toma como base os EUA, a meca do capitalismo e cujos níveis de desigualdade superam em muito os padrões europeus (também crescentes). Este país, desde os seus primórdios valorizou a meritocracia e, no pós-crise de 1929, implantou a tributação progressiva sobre as fortunas, chegando a 82% sobre a renda e 70% sobre heranças, sendo este um pilar do alto crescimento e desenvolvimento. A estrutura tributária começou a ser desfeita a partir de 1980, com a chegada de Reagan à presidência e a desregulamentação econômica.
Os dados atuais dos EUA dão conta que do crescimento de 1,5% do PIB, 75%  foram  absorvidos por 1% da população  os outros 25% para os 300 milhões de estadunidenses.
Em termos planetários, 1% da população mundial detém 50% da riqueza mundial.  
Mas como o problema está dado, as soluções, segundo o economista, algumas soluções passariam por:
a)    Uma nova tributação sobre o capital financeiro e não somente sobre fortunas baseadas em ativos fixos (imóveis, por exemplo), uma vez que a riqueza acumulada em papéis é muito maior que o próprio PIB mundial, cerca de 10 vezes;
b)    Controle sobre a remuneração dos executivos de grandes empresas, um dos motivos que levou à crise de 2008, dado que quanto mais um balanço era lucrativo, maiores eram os bônus;
Obviamente, as propostas são várias, mas a centralidade está na discussão dos mecanismos de concentração de renda e como combatê-los. A liberalização econômica é uma realidade posta a partir da década de 1980, seus efeitos são deletérios na distribuição de renda. Crises sociais e ambientais se avizinham. O debate está aberto.



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