Sobre Thomas Piketty
1. Quando a desigualdade econômica passa a ser inútil ou
estéril?
2. Quais os níveis de desigualdade que trouxeram algum
benefício?
O
professor e pesquisador francês, longe de ser um marxista, hoje é o mais
debatido economista após a publicação de seu livro “O capital no Século XXI”, a
ser lançado em novembro de 2014 no Brasil.
Após
um estudo exaustivo, com fartos dados estatísticos, verificou de forma
contundente aquilo que estamos presenciando após a crise de 2008 – a
concentração brutal de renda.
Pois
bem, se alguém perde alguém ganha. O Estado , que deveria mediar e equilibrar
esta relação e evitar que as desigualdades fossem acentuadas e, por consequência,
seus efeitos como desemprego, pauperização, violência e destruição ambiental,
não consegue ou não tem vontade política para acompanhar a velocidade da “globalização”,
uma nova fase de acumulação, se torna impotente mediante a brutal expansão do
capital e a “liberalização” financeira (ou será libertinagem?).
As
diferentes formas de capital (principalmente os assets- ativos) devem ser melhor
controladas, não obedecem às mesmas leis. O que aqui o senador Roberto Requião chama
de “Capital Vadio”, a imprensa brasileira (esmagadoramente colonizada) chama de
“mercado”.
Toma
como base os EUA, a meca do capitalismo e cujos níveis de desigualdade superam
em muito os padrões europeus (também crescentes). Este país, desde os seus
primórdios valorizou a meritocracia e, no pós-crise de 1929, implantou a
tributação progressiva sobre as fortunas, chegando a 82% sobre a renda e 70%
sobre heranças, sendo este um pilar do alto crescimento e desenvolvimento. A
estrutura tributária começou a ser desfeita a partir de 1980, com a chegada de
Reagan à presidência e a desregulamentação econômica.
Os
dados atuais dos EUA dão conta que do crescimento de 1,5% do PIB, 75% foram absorvidos
por 1% da população os outros 25% para
os 300 milhões de estadunidenses.
Em
termos planetários, 1% da população mundial detém 50% da riqueza mundial.
Mas
como o problema está dado, as soluções, segundo o economista, algumas soluções
passariam por:
a) Uma nova tributação sobre o capital financeiro e não
somente sobre fortunas baseadas em ativos fixos (imóveis, por exemplo), uma vez
que a riqueza acumulada em papéis é muito maior que o próprio PIB mundial,
cerca de 10 vezes;
b) Controle sobre a remuneração dos executivos de grandes
empresas, um dos motivos que levou à crise de 2008, dado que quanto mais um
balanço era lucrativo, maiores eram os bônus;
Obviamente,
as propostas são várias, mas a centralidade está na discussão dos mecanismos de
concentração de renda e como combatê-los. A liberalização econômica é uma
realidade posta a partir da década de 1980, seus efeitos são deletérios na
distribuição de renda. Crises sociais e ambientais se avizinham. O debate está
aberto.
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